terça-feira, 31 de agosto de 2010

Questionar ou duvidar?

Sempre pensei que questionar fosse bom. E é! Questionar fatos, dados, pessoas (principalmente eu mesmo), ensinamentos, imposições... tudo é questionável. Mas não tomo o verbo "questionar" no sentido que alguns têm atribuído a ele: duvidar.

Questionar, segundo o Aurélio (aquele que serviu como tema de um post passado), é "fazer ou levantar questão acerca de; discutir, disputar, controverter". É exatamente o que sempre pensei que fosse: discutir sobre algo: fatos, dados, pessoas, ensinamentos, imposições. Levantar questões acerca da vida.

Diferentemente, duvidar, também de acordo com o Aurélio, é "não acreditar, não admitir; estar na dúvida: na incerteza; não confiar; não acreditar; desconfiar; não crer; ser céptico". Desnecessária muita demonstração da diferença gritante entre um e outro verbo.

Mas por que falar sobre esses verbos? Porque, com um crescimento espantoso, vários jovens espíritas estão utilizando um pelo outro. "Eu posso questionar a Doutrina Espírita, sim". Pode, claro que pode! E isso é parte do pensamento filosófico livre que pretende a emancipação dos Espíritos. O que não se pode admitir é questionar com o significado tortuoso de duvidar. Colocar em dúvida, não acreditar ou ser céptico com relação aos ensinamentos do Espiritismo não é questionar a Doutrina; é desconfiar da veracidade dos ensinos dos Espíritos, é não confiar no trabalho sistemático elaborado por Kardec, é pretender que haja falsidade no Espírito da Verdade. Em uma palavra: é não ser Espírita.

Por princípio, o Espírita deve estudar os livros básicos da Doutrina Espírita. Sem eles não se avança muito nas meditações espíritas. Para além deles pode (ou deve) haver algo, mas o que temos já é suficiente para uma vida inteira de tentativas filosóficas e morais puras e práticas. Questionar sobre as lições constantes desses livros, e também com base nelas, é quase uma necessidade, se queremos alcançar (alguma) iluminação interior. Outro comportamento completamente distinto é inadmitir a veracidade dos ensinamentos, sob o argumento de que "posso 'questionar' tudo". Se tivéssemos a possibilidade de "questionar" os ensinos espíritas, no sentido que têm dado ao verbo, poderíamos então rasgar as obras fundamentais da Doutrina Espírita. Mas se assim agirmos, o que teremos?

Evidentemente, isto é só um post. Contudo, nele cabe esse pequeno reparo. Questionar, sim; duvidar, jamais. A menos que queira outra Doutrina Espírita, mas para isso o duvidador há de ter evolução intelecto-moral para ensiná-la. Alguém se habilita?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Códigos de Processo Civil

Quantos Códigos de Processo Civil você conhece?

Eu só conheço um. Aquele de 1973, que irá passar por uma reforma - ou seria melhor dizer que será retirado de campo para entrar outro no lugar? - e que orienta as ações, o processo e a jurisdição. Vá lá, tem o de 1939 também, mas esse já foi derrogado, restando pouquíssimas disposições vigentes. Bom, mas isso não importa. Importa que há um Código de Processo Civil em vigor e que deveria viger entre todos os indivíduos brasileiros. Afinal, é lei!

Mas se procurarmos, no plano da faticidade, quantos Códigos de Processo Civil existem, então veremos que há uma infinidade deles. Verdade! Tente atuar perante o Poder Judiciário e verá que cada juiz, cada secretaria, até mesmo cada funcionário da burocracia judiciária possui um exemplar próprio, criado por ele mesmo, para regular os procedimentos.

E não é assunto para ser tratado em âmbito de argumentação jurídica não. Estou falando de "casos fáceis", em que a aplicação da regra não dá margem a dúvidas. Veja bem, não dá margem a dúvidas, não significa que não tenha de ser interpretado. Mas isso é outra história.

Consequências práticas dessa imensidade de dispositivos não-oficiais - juridicamente podemos dizer até que são inexistentes: a tão protegida e exaltada segurança jurídica das pessoas dá adeus ao rol de garantias jurídicas. Não só advogados, mas também todo e qualquer jurisdicionado é afetado por essa intromissão indevida de legisladores ad hoc. Além disso, com essa pluralidade de ordenamentos processuais, ficamos nas mãos do arbítrio - ou diríamos da arbitrariedade? - de toda a burocracia judiciária, o que, convenhamos, não é nem um pouco desejável.

Dura lex, sede lex. No Brasil, jamais foi! Agora, então, não é mesmo!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"Vozes solitárias"

Após ter feito este blog, fiquei pensando: por que um blog? As respostas não vinham muito claras; eu sabia por que tinha feito um blog, mas não conseguia verbalizar.

Lendo o livro Conversas com quem gosta de ensinar, do Rubem Alves, acabei vendo uma frase que me deu a resposta até então não clarificada: "O fato é que todos aqueles que ainda têm a ousadia de falar e escrever, acreditam, ainda que de forma tênue, que o seu falar faz uma diferença". É isso: faz uma diferença postar meus pensamentos, publicar, tornar público (mesmo que sem público). Faz uma diferença, e não a diferença.

Sei que não vou mudar nada nas instituições sobre as quais comento aqui. Sei que minha voz é quase solitária. Sei que existem interesses grandiosos que sustentam o mundo como ele tem sido. Mas sei que posso atingir uma, duas, três pessoas que sejam... e isso faz muita diferença para mim. É por essa razão que ainda tenho ânimo de fazer meus estudos, minhas palestras, coordenar grupos de discussão, participar de grupos de estudo, postar num blog. Longe de mim a ideia de ser um salvador de almas; não sou, não posso ser, não quero ser, não tenho condições evolutivas para isso, nem tenho ombros para sustentar essa cruz... a propósito, essa ideia me dá enorme vontade de rir.

Somente quero ser mais um na "pequena multidão das vozes solitárias".

Cinematografia espírita [2]

Impressionante!

Se não bastassem as pessoas enviarem email pedindo para assistir ao filme "Nosso Lar" na primeira semana de exibição, agora a FEB (Federação Espírita Brasileira) se mete a fazer isso também. Não que ela tenha enviado email, mas postou uma "Convocação" para irem todos os espíritas e "simpatizantes" aos cinemas na primeira semana de exibição do filme. Duvida? Acesse aqui http://www.febnet.org.br/site/noticias.php?CodNoticia=412.

Isso lá é função da FEB? Ademais, que tanto os espíritas querem com a ida "em massa" aos cinemas? Bom, não preciso argumentar mais, porque no post anterior eu já disse o que penso.

Dizer que "quanto maior for a presença nos cinemas, maior será a divulgação" é uma bobagem sem tamanho. Como dito, esses filmes não são para público espírita; são filmes para a massa; são produções culturais de massa!

Espíritas mandarem email ainda é aceitável. Mas a FEB se meter a convocar as pessoas? Isso já é demais! E o pior, é que tem gente que repassa essa convocação e acha que está fazendo um grande serviço ao Espritismo...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Cinematografia espírita

Tenho recebido alguns emails - cansativos emails, a propósito - de pessoas que insistem em "defender" a Doutrina Espírita de formas extravagantes. "Temos de ir em massa à estreia do filme do Bezerra!"... "Temos de ir em massa assistir ao filme do Chico!"... "Temos de ir em massa ver o lançamento do filme 'Nosso Lar'!"... Como diz o meu amigo Léo: "Sério?".

Para que temos de ir "em massa" assistir a esses filmes? Para não tirarem de cartaz? Poupem a minha (falta) de paciência! Esses filmes não foram feitos para um público específico. São filmes para a massa, ainda que tratem de um tema muito específico. Não vão permanecer em exibição ou deixar de serem exibidos em razão de os espíritas irem ou não assistir. Esses filmes não são espíritas! Possuem temática espírita, são baseados em obras espíritas, em pessoas espíritas, mas não são para público exclusivamente espírita.

Será que a Doutrina Espírita depende desse tipo de defesa? Claro que não. Diz-se até que ela não precisa de defesa alguma, pois a força dos fatos mediúnicos, o poder de sua coerência e as consequências de sua filosofia são suficientes para fazer frente a qualquer objeção. Assim, acho que podemos parar de lotar caixas de emails com pedidos absurdos para assistir a tal ou qual filme.

Dicionário

Você sabe o que é um dicionário? Acredito que sim. Nele encontramos tanto o significado das palavras, como alguns sinônimos para elas. Certamente, você, que lê este blog (imaginando que alguém leia, claro!), conhece um dicionário.

Parece, contudo, que tem gente que desconhece. O mais alarmante é que boa parte dessas pessoas lida com as palavras profissionalmente. Era de se esperar conhecessem um mínimo do léxico para não cometerem verdadeiras atrocidades contra o já espancado Português. Mas não; essas pessoas não se preocupam em se dar ao trabalho de consultar uma versão impressa ou digital do dicionário.

Coitado dele, fica ali, empoeirado na estante, esquecido das consultas que deveriam limpá-lo diariamente. E lá se vão, em consequência da "inutilidade" do dicionário, palavras e mais palavras inadequadas, impertinentes, desconexas, em petições, sentenças, despachos... E o que é pior, utilizam essas palavras escabrosas pensando escrever bonito. "É chic usar palavras que poucos sabem!". Eu respondo: é, se você não quer se fazer entender. Paciência!

Acredito que o preconceito em se consultar o dicionário seja porque um dos sinônimos dele é pai-dos-burros. Bom, "burro" mesmo é quem o despreza!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Faculdade ou cursinho?

Recebi outro dia um email, enviado por um amigo, que tinha como pergunta: "por que a advocacia está acabando?". Em síntese, o texto tratava de um hipotético diálogo entre o avô e o neto, no ano de 2.210. O neto pergunta por que o mundo está acabando. O avô responde que é porque não existem mais advogados. E expõe três razões pelas quais os advogados sumiram do mundo.

Afora os absurdos da historieta, como por exemplo o mundo estar acabando e e os advogados terem deixado de existir, importam as razões que o avô deu. Na verdade, não importam não. Quero apenas trazer para o Reparos o texto que escrevi - com alguns ajustes - para todos os que compunham o remetente da mensagem original:

"Meus caros,

vi que não conheço todos os destinatários do email enviado pelo Ancelmo, mas enviarei um pouco do que penso para todos.

Achei interessante a historinha. Entretanto, é possível percebermos outros poderes e vilões que também podem contribuir para o desaparecimento da advocacia. Ou pelo menos a advocacia nobre que conhecemos (ainda que isso já esteja começando a fazer parte da História passada).

Um deles é a ausência de formação crítica dos jovens bachareis e futuros advogados. Formar-se em Direito não é tarefa das mais complicadas. Mas se  formar com um mínimo de pensamento crítico, isso sim é dificílimo. Muito se deve a alguns professores extremamente técnicos; muito se deve à tradição de desdenhar as disciplinas de formação extrajurídicas, como sociologia, filosofia, política, etc.; muito se deve a bases curriculares completamente afastadas da realidade social brasileira. Mas se deve em grande ou maior parte aos alunos que entram no curso de Direito como se entrassem no CAVE ou qualquer outro cursinho preparatório. Faculdade de Direito não é cursinho; é lugar de formação de pensadores jurídicos.

Outro poder ou vilão são alguns escritórios de advocacia de massa, que contratam advogados como prestadores de serviço (para não terem obrigações trabalhistas e previdenciárias), pagando remuneração totalmente incompatível com a dignidade da profissão. E são esses mesmos "nomes de destaque da advocacia" que surgem defendendo o Estado Democrático de Direito e as prerrogativas do advogado, quando, dentro de sua própria casa, exploram jovens formados. Notemos que nem mesmo podemos dizer que há uma proletarização da advocacia, porque nem proletários, com salário, carteira assinada e direitos trabalhistas, podem ser considerados.

É de se ver, meu amigo Ancelmo, meus caros da lista do email, que os vilões da advocacia são muitos; não apenas os três da historinha.

Pensemos, meditemos, debatamos! O futuro da advocacia depende de cada um de nós.".

Com exceção de três pessoas que replicaram minha manifestação, as demais, cerca de trinta bachareis e advogados, sequer pronunciaram uma só palavra. Isso é indício de algo...

Início

Quem diria... tenho um blog!
Nunca entendi bem porque alguém criaria um blog. Talvez eu tivesse a equivocada opinião que um blog servia para expor a vida de alguém no imenso mundo da internet.
Mas estava enganado. Um blog pode servir para inúmeros outros objetivos que não apenas expor uma pessoa. Pode servir para deixar ver ideias, pensamentos, opiniões, "achismos" e uma infinidade de outras finalidades.

Este blog tem essas destinações. Servir-me-ei dele para publicar (ainda que não haja público) minhas impressões sem fundamento sobre o mundo. Na verdade, não sobre o mundo todo, porque não pretendo ser tão amplo. O direito e o Direito, a Justiça e a justiça, os causos, os casos, os absurdos da justiça (para não falar do Judiciário), o movimento espírita e o movimento dos espíritas... tudo isso será dito, ou não.


Enfim, reparos. Casuais.
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