terça-feira, 8 de novembro de 2011

Abraços

Como é bom receber um abraço, né? Como é bom dar um abraço! Abraçar. Nem é uma palavra bonita, convenhamos. Mas o que ela representa, isso sim, é bonito.

O que contém num abraço? Carinho, conforto, consolo. Amor, amizade. Compreensão, cuidado, proteção. Amparo, parabenização. Tudo isso e mais.

Acredito que o abraço faz a outra pessoa entrar em sua vida, participar de seu coração. Quando abraço, eu digo: compartilho com você meu mundo. É um convite, uma proposta e um desafio. "Abrace-me e eu te devoro amorosamente", teria dito a esfinge antes de se tornar pouco humana e muito animal.

Mas assim como "eu te amo" não é "bom dia", abraço não é aperto de mão. Da mesma forma como "eu te amo" só é dito, ou só deveria ser, para pessoas especiais, o abraço também não pode ser banalizado, vulgarizado. Afinal, não sejamos hipócritas, nosso mundo é complicado demais para fagocitar todo tipo de pessoa. Se abraçar torna o outro parte de mim, por que razão, oh Deus, eu quereria acoplar alguém indesejável?

Sê bem vindo quando eu te abraçar! Entre e sinta-se em casa!

Não sou perfeito, estou longe de sê-lo e tenho dúvidas se quero logo me tornar. Por isso, respeite meu mundo: abrace-me somente se puder compartilhar da minha vida.

Abraços a (quase) todos!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A matriz

Dedicado ao meu mais novo interlocutor e amigo em construção.

Não sei vocês, mas eu já assisti ao filme The Matrix um zilhão (percebe o trocadilho? não? vá ver o filme!) de vezes. O primeiro da trilogia, então, foram mais de vinte! E sempre pensei que a vida poderia ser isso. "O quê? Um programa de computador? Tá louco?". Calma, não se exalte. Como o meu sereno e sábio professor de direito de família retornaria para você a sua própria pergunta : "por que não?". Durma com a dúvida.

Embora possa render muitos comentários, e até livros de auto-ajuda como alguns que vi na livraria, não pretendo fazer uma análise do filme. Não, não sou crítico cinematográfico (é isso mesmo?). Sou crítico, e só.

É interessante perceber que, se não vivemos em um programa de computador, de onde saímos quando estamos dormindo (é o que eu acho, não me encha), há várias Matrixes por aí. Uma delas é aquele lugar onde se estuda Direito. Bom, Direito ou lei? Ixi, me falaram que era Direito, mas não sei não, hein?

Matriz, modelo que dá origem às cópias. Como diria o personagem sem nome de Clube da Luta, "é tudo cópia de cópia de cópia". Aliás, Fight Club já foi visto por mim pelo menos dez vezes! Tenho até uma camiseta maneira com a estampa do filme. Opa! Voltando... Cópia de cópia, reprodução reproduzida ao infinito! Isso é a matriz de onde saí, de onde saem todos os colegas. Que fazer além de citar? Nada, é cômodo! Ainda dizem: "se aquele que julga faz isso, por que não posso fazer também?". Ok ok. Se sua medida é por baixo, go, fool!

Mas é importante sair da matriz, não só fisicamente. É preciso formar-se sem se formatar. Sabe aquele autor? Pois é... nunca leram. E por que falam dele? Galhofas da Matriz! E aquele outro? Que que tem? Também não leram? Não, este leram, mas não entenderam que ele é estadunidense. Ah sim! Mas o alemão pode... Será? Pense! Não consigo! You lose!

A ideia é não se perder. Procure uma equação, uma linha, uma teoria, um lugar. Muitas são as moradas na Matriz, mas nem todas são compatíveis. Perceber que existe vida fora dali já é um grande passo. Porém, se não for do seu interesse quebrar a regra, não se assuste com o que virá. Ah! mas não se assustará! Será sempre o mesmo do mesmo do mesmo reproduzido incansavelmente.

Erguer a cabeça

É possível que muita gente já tenha ouvido aquele ditado: "quem muito se abaixa, a bunda mostra". Não sei de quando é esse dito, mas posso imaginar que, na história da advocacia brasileira, muitos advogados nunca pensaram sobre ele.

Qual o valor de um advogado hoje? Veja bem, não perguntei sobre o preço! Pela quantidade de piadas depreciativas à nossa profissão, vemos que o advogado não é muito valorizado. E não o é nem pela sociedade, nem pela magistratura, nem pelo ministério público, nem pelos servidores do judiciário, nem mesmo pelos próprios advogados. Ok ok. Sua acusação de que estou generalizando procede. Mas é do geral da desvalorização que quero falar, não de casos específicos de valorização.

Os casos de desrespeito à advocacia e ao advogado começam pela própria classe, cujos profissionais não se empenham em se manter atualizados, não se esforçam por aprender cada dia mais, não redigem de forma clara, precisa e elegante. A palavra é o instrumento de trabalho do advogado e alguns fazem questão de maltratar o pobre do português. E, olha, escrever empolado não significa escrever bem, ok? Aqueles egrégios, supracitados, latinórios e palavrórios não demonstram cultura; demonstram arrogância e insensatez. A propósito, quem mal sabe falar português, por que se arrisca a soltar palavras e frases em latim? Não entendo!

Além da falta de atualização jurídica e da ausência de esmero no trato com as palavras, a desvalorização interna, essa provocada pelos próprios advogados, passa também pelos míseros honorários cobrados. É praticamente um leilão de preços. "Quem cobra menos?", ouviu-se certa vez. "Dou-lhe uma, dou-lhe duas...". Shame on us!

Há campanhas e mais campanhas feitas pela OAB em prol da valorização da advocacia. Concordo, deve-se mesmo realizá-las. Realmente precisamos reavivar a decência, a dignidade da profissão. Nobre ofício de luta alheia. Mas mais que isso, a Ordem deveria investir em campanhas internas, nos grandes escritórios que sugam a saúde e o tempo de advogados recém-formados em jornadas de nove, dez, onze horas de trabalho. Escritórios esses que, muitas vezes, não remuneram bem seus profissionais. Investir em cursos de atualização mais descentralizados, em cidades distantes das capitais e grandes centros. Fomentar debates com outras áreas do conhecimento, para tentar ampliar os horizontes dos advogados. Incentivar campanhas tendo como alvo alunos de faculdades de direito, a fim de mostrar para todos que a advocacia pode ser uma opção e não, uma falta de opção.

Não se valoriza algo que alguém pense ser passageiro. Advocacia não é fase intermediária entre a faculdade e os concursos públicos. É claro que não farei aqueles discursos inflamados de outrora sobre o "sacerdócio" da advocacia e blá blá blá... Toda profissão deveria ser encarada com seriedade e dignidade. Mas advogado sem amor pelo que faz, sem ânimo para verdadeiramente lutar pelo direito de alguém, é só mais um inscrito na OAB.

Poderia ter dado inúmeros exemplos de atitudes que causam - ou são consequência? - a desvalorização social do advogado e da advocacia. Talvez outras postagens venham mais tarde sobre isso. Mas não é esta a minha intenção. Na verdade, como sempre, queria apenas desabafar. Se com isso vem o debate, tanto melhor; se não, paciência. "Le monde va de lui même"! Uma pena!
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