sexta-feira, 30 de março de 2012

Obrigado

O blog atingiu hoje a marca de 2.000 visualizações de páginas! É simbólico, eu sei; 2.000 é um número fechado, redondo. Por isso escrevo agora.

Comparativamente com outros blogs, sobretudo aqueles que falam de jogos e tecnologia, que brincam com memes, que falam das vidas das pessoas (por algum motivo) famosas ou que fazem piadas, 2.000 visualizações de páginas é um número modesto. Alguns desses outros blogs atingem 2.000 visualizações em um único dia. Contudo, para mim, que escrevo em um blog de raros e inteligentes leitores, é um quantitativo de visualizações, em 19 meses, bastante significativo. São cerca de 105 visualizações por mês, uma média de 37 visualizações por postagem. Claro que as postagens mais recentes têm tido um público maior. E isso se deve, em parte, à gentileza tão solícita de alguns amigos que, lendo as orelhadas dadas aqui, compartilham no facebook ou em outra rede social.

O objetivo deste blog nunca foi atingir um grande número de pessoas. Como dito na primeira postagem, minha intenção é dizer, apenas isso. Dizer, opinar, falar, desabafar. Tudo sem compromisso com métodos, teorias ou rebuscamentos que andam matando muitas pessoas inteligentes por aí. Mas, por algum motivo que se esconde de mim, há algum tempo as postagens começaram a receber maior atenção das pessoas. Talvez pelos assuntos tratados aqui, o que, paradoxalmente, afasta leitores mas os convida também. Os reparos se dirigiram, em sua maior parte, ao Direito e às instituições jurídicas, mas nunca foram deixados de lado a política e os políticos, o movimento dos espíritas e a sociedade. Reparos em mim também foram feitos, alguns deles bem leves, para não me machucar muito, enquanto outros foram bastante fortes e profundos.

Embora tivesse, a princípio, uma via de mão única, o blog passou a receber retorno dos raros leitores. Ainda que a maior parte dos comentários seja composta por elogios do Andrey - sabe Deus o que ele vê de tão bom aqui -, também foram feitos comentários equilibristas - aqueles que caminham sobre a tênue linha que separa a sinceridade da grosseria. Com todos foi possível pensar, repensar e aprender.

Por todos e a todos que visitaram o blog até estas 2.000 visualizações: obrigado! E sejam bem vindos aos próximos pensamentos postos em palavras.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Jornacionário

"Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

Engana-se quem acha que vou fazer uma homenagem ao falecido Millôr Fernandes. Não farei, e isso por dois motivos: um, exaltar alguém depois que morreu é, para mim, um completo desrespeito àquela pessoa enquanto era viva; e, dois, desconheço a história de Millôr Fernandes, embora tenha lido uma outra coisa que ele escreveu.

Utilizei aquela frase no início apenas porque a ouvi ontem em algum telejornal. E me lembrei dela hoje pela manhã, enquanto fazia minhas atividades pré-laborais, assistindo ao meu programa favorito do dia: Mais Você! Contextualizo: em uma chamada externa, AMB passou a bola para uma repórter que estava a bordo do helicóptero da Rede Grobo, cobrindo uma manifestação na CEAGESP. Baderneiros, desordem, violência e tumulto foram palavras repetidas pela repórter para se referir tanto aos manifestantes quanto ao movimento que ocorria (parece-me, segundo o google, que ainda ocorre). Ainda disse que existem outros meios para reivindicar os direitos deles.

Não sei nem por onde começar. Primeiro, repórter tem que parar de dar opinião, a menos que diga explicitamente sua posição quanto ao que opina. Qualquer um pode dizer o que pensa, desde que não se esconda atrás de uma falsa imparcialidade jornalística. Se está cobrindo um evento como o da CEAGESP e tem opinião formada sobre movimentos populares de reivindicação como sendo baderna ou tumulto, deixe isso muito claro. Não dá para assistir a telejornal como o Jornal Nacional, com aquele monte de opiniões veladas nas caras e bocas dos "âncoras", sem sentir a inteligência vilipendiada. Acha um abuso, um absurdo, uma desordem? Então diga!

Segundo, reivindicar direitos pelos meios jurídicos é só mais uma forma reacionária de dizer: "entrem no sistema e tentem! rá! não conseguiram, né?". Não. Não conseguem. Bom, estou sendo extremista. Podem até conseguir algo, mas duvido muito que seja o que pretendiam. Até porque paira aquela ameaça: ou conversamos e vocês aceitam 3 em vez dos 20 que pretendem, ou vamos para a justiça e vocês vão ganhar 1,5. É uma pena, mas é verdade.

Em terceiro lugar, e aí aproveito de alguma forma a frase de Millôr Fernandes, pergunto: a imprensa, uma vez que já é um quarto ou quinto poder da República, não deveria ser um pouco mais progressista? Mais garantidora de direitos? Ao menos, não deveria a imprensa fazer frente a situações em que a luta parajurídica é necessária? Ou seria melhor manter a ordem e o estado de coisas opressivos? Tantas perguntas que faço quando ouço vozes assim no jornalismo... Não consigo entender como alguns profissionais e algumas empresas de jornalismo podem ser tão dissimuladas em produzir matéria contrária às manifestações populares pacíficas e legítimas. Se a situação descamba para a violência, ainda posso dar o braço a torcer e concordar com algumas ressalvas. Mas quando o protesto é feito dentro do âmbito de proteção da Constituição, não posso deixar de criticar os reaças vestidos de jornalistas criticando veementemente a reivindicação.

E, deixo claro, não entendo a frase que iniciou esta postagem como sendo a imprensa necessariamente oposição a qualquer situação. Essa oposição tem de ser a situações contrárias aos direitos, quaisquer que sejam eles: jurídicos ou parajurídicos, como é o direito de desobediência.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Há luz

Em homenagem às pessoas que ainda pensam diferentemente do padrão.

Quinta-feira passada estive no anfiteatro de Estudos Sociais da UFJF participando de um evento sem precedentes na Faculdade de Direito (pelo menos do que é de meu conhecimento). Produzida e executada por um grupo de pessoas ligado a um ponto de vista crítico sobre o ensino e a prática jurídicos, a Calourada do Coletivo da Faculdade de Direito levou alguns profissionais para debater com o público temas interessantes e pertinentes.

Infelizmente, só pude participar do evento em um dia e apenas à noite, por isso digo do que vi. Sei que a Calourada foi um sucesso. Não digo que o sucesso se deu pela quantidade de pessoas que demonstraram interesse pelo evento; na quinta-feira, contavam-se cerca de quarenta ou cinquenta pessoas na platéia. Não era de se esperar mais. Sejamos realistas e nos contentemos com um público desses, afinal, na Matriz, a crítica não é o forte e o corpo discente, a despeito de bons resultados nos testes da técnica, continua enclausurado e formatado. Também não vou dizer que a Calourada foi um sucesso pelo incentivo que obteve do corpo docente; com exceção do professor Abdalla, que era palestrante no dia, nenhum outro professor deu o ar da graça. Sejamos realistas mais uma vez e nos contentemos de novo por ter um interlocutor da docência, afinal, na Matriz, só o que faz parte da ortodoxia é incentivado.

Por que motivos, então, digo que a Calourada do Coletivo foi um sucesso? Porque, assistindo aos expositores que lá estiveram para o bate-papo e aos alunos que atentamente buscavam captar e compreender as questões relevantes lá tratadas, posso dizer: ainda há luz na Matriz.

Faço votos de que o Coletivo, cujo nome ainda pode sofrer alterações para se desvincular de instituição tão combatida pelo próprio pensamento crítico, não seja um movimento de inicial entusiamo excessivo e de desenvolvimento claudicante. É bom ver brilhar uma centelha em meio às trevas dogmáticas e cegas à sociedade. Chega de tecnicismo! Chega de decisão enlatadas! Chega de provas opressoras! Queremos mais! Queremos pensar! 

Quero mesmo é que brilhe essa luz que ainda existe!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Introdução ao pensamento jurídico tradicional

Pare! Olhe para o mundo! Acredite firmemente que este mundo está contido no direito estatal e que este tudo soluciona! Pronto, está introduzido!

Polêmico

Polêmico é aquele que sempre dá uma orelhada extremista, pensando ser diferente e cheio de polêmica. Para qualquer assunto, ele tem uma opinião forte. O problema é que, além de forte, é também estulta. Mas não se sente envergonhado, afinal, é polêmico. Gosta mesmo é de ver o circo pegar fogo após sua contribuição de combustível de tolice. Como causa alvoroço entre as pessoas, se sente feliz por ser polêmico.

Na verdade, ele se considera realmente polêmico. Afirma com a convicção dos mártires da verdade que é polêmico. Apenas não sabe que polêmico é adjetivo e o sujeito que causa a polêmica é polemista. Mas para que saber disso? O que importa é o resultado prático da sua manifestação. Depois da patetice, sempre vêm inúmeras pessoas interagir: umas para reprovar o basbaque, outras para demonstrar o desprezo e algumas, poucas, para tentar salvar da estultice a opinião polêmica. Quanta necessidade de se sentir querido para ter de falar tanta bobagem! A diferença entre um polemista e um polêmico é tamanha, que o objeto aqui é efetivamente o segundo.

O que mais impressiona naquele que se acha polêmico é a grande capacidade de proferir frases de efeito cheias de nada. Vem sempre uma forma torta vazia de conteúdo. A intenção, ao que me parece, é apenas provocar alarido, ainda que escrito e virtual. A pretensão, se é que o polêmico a tem, é causar um tumulto nas ideias, pois, se diferente for, ele não é capaz de participar. Se todos estão na bagunça das opiniões, a dele passa a ser só mais uma, aliás esquecida. Ao final, chega a pergunta: por que estamos mesmo falando disso? Ninguém sabe. Mas o polêmico está ali, afastado, com aquela troll face.

Com a internet e suas redes sociais, a arena do polêmico se expandiu. Com uma só tolice ele atinge muito mais gente do que faria em uma roda de bar. No facebook, basta um acontecimento cotidiano ou uma tragédia mundial para o polêmico aparecer e despejar em nossas timelines as toneladas de palavras ocas direcionadas à satisfação do próprio ego. Não tendo o que dizer de substancial, o polêmico se vale da superficialidade da maioria de nós e prepara o terreno para as discussões mais fúteis existentes. Aperte-o contra a parede e force-o a sustentar sua polêmica e verá uma gargalhada ou uma escusa por não estar falando sério. É assim; é polêmico.

Por fim, só posso fazer um pedido. Desculpe-me o título da postagem, raro leitor. Não quis induzi-lo ao erro, deixando parecer que se trataria de um post polêmico. Não. Hoje tento fugir da polêmica vulgar. Se, de alguma forma, aqui fui polemista, isto ocorreu por uma aberração do resultado.

terça-feira, 13 de março de 2012

Impotência juizforana

Há algumas noites senti algo que me faz escrever agora. Eram cerca de três horas da manhã e uma britadeira perfurava o asfalto. Junto ao ensurdecedor som daquele instrumento, outra máquina batia no solo causando um estrondo. Pensei: o que leva uma pessoa a causar tanto transtorno para tanta gente? E, o que é pior, numa hora dessas o lazarento deve estar dormindo o sono dos justos. Bom, ao pensar isso, sorri, porque, francamente, sono dos justos ele não deve ter.

Quando vim para Juiz de Fora, há quase dez anos, soube que chegava a uma cidade de povo politizado, cuja tendência era de esquerda, petista é verdade. Gostei da ideia naquele tempo. Aos poucos, com os aumentos sucessivos das passagens de ônibus na cidade, vi que a politização do povo não era assim tão forte. Eram sempre os estudantes da UFJF que saíam às ruas para protestar. Os demais apenas diziam: "ah! é manifestação dos estudantes". Sim, sim, o senhor e a senhora não vão pagar a mais no preço da passagem, né mesmo?

Hoje me sinto juizforano de coração. Não sou nativo, mas já me considero daqui. E ainda a decepção me consome. Atualmente, então, é de dar dó a nossa condição de vida na Manchester mineira. Buracos para todos os lados, alagamentos em ruas que nunca alagaram, conserto de asfalto que torna a estragar em seguida, recuperação do que não precisa recuperar, construção de um pórtico na entrada da cidade (a propósito, que coisa medonha é aquela?), obra cujo prazo extrapola os limites impostos pela própria municipalidade... O que está acontecendo? É a Nova Juiz de Fora! Sinceramente, prefiro a velha Juiz de Fora!

O prefeito faz tudo o que quer e ninguém se mobiliza contra. A Câmara Municipal? Nem sei o que tem feito. Acredito que nada. Nosso legislativo brasileiro, em modo geral, ocupa função cada vez mais figurativa. Classe média sofre... faz buzinaço dentro dos carros com ar condicionado, xinga do alto de suas coberturas, reclama nas esteiras da academia. Vixi! Quanta ação! E quem não é classe média também sofre. Sofre com ônibus lotados e atrasados, sofre com o tempo para chegar em casa ou no trabalho, sofre com as obras no centro da cidade enquanto os bairros permanecem destruídos. Juiz de Fora está apocalíptica.

Pensar em reclamar através da imprensa? Bobagem! A imprensa juizforana é tão forte quanto a gente. Recorrer ao Judiciário? Não perca seu tempo. Certamente um tal princípio da supremacia do interesse público sairá de trás da orelha de quem quer que julgue, a fim de justificar esse caos que a prefeitura lançou sobre todos nós. O que nos resta, então? O que nos resta? Tuitar? Postar no facebook? Ma che! E a gente se sente impotente.

Alguém já se perguntou quem está ganhando com esta avoN Juiz de Fora? Quem são os donos das empresas de paralelepípedos, de postes, de placas para o meio-fio, de caminhões, de tratores, de, de, de? Além disso, por que demoram tanto essas obras? Tenho uma hipótese: demoram tanto que é para, quando ficar tudo pronto, ninguém se lembrar de como era antes e, então, achar que alguma coisa mudou. Mudou, não para mim, nem para você.

Não sou muito favorável de tomar os caminhos alheios à justiça, mas só por isso penso que a justiça não é feita apenas pelos meios legais. Que tal um outono juizforano, a exemplo da primavera árabe? Ridículo, né? Pois é... lá no Oriente Médio, no norte africano, por ali alguns ditadores saíram do poder. "Ah! mas nós temos os meios jurídicos para resolver essas situações". Sim, para um povo que acredita (ou se deixou enganar) que liberdade se confunde com lei, é fácil pensar assim. Mas se quer agir pelos meios jurídicos, lembro um episódio da nossa recente democracia. Em 1992 eu tinha apenas 10 anos, mas me lembro de que um presidente da República sofreu o processo de impeachment. Por que não poderia ocorrer o mesmo com o prefeito daqui? Ahhh preguiça. Tenho meus afazeres.

Do que sofremos? Abulia? Acracia? Apatia? Todas essas patologias juntas? É possível. Acredito que a falta de vontade de agir, seja pelas formas jurídicas, seja pela mobilização paralela aos ditames da legislação estatal, é uma das grandes causas da nossa impotência. Para esta, contudo, não há pílula azul. Talvez uma pílula vermelha morphética nos ajudasse. Oremos!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Contra o trote

Março, agosto! Dois meses que há muito me fazem pensar neste assunto: trote. Será que existe alguém que veja beleza nos calouros imundos andando pelo centro da cidade? Acredito que não. Não é só esteticamente repulsivo mas também odorificamente nauseante. Agride os olhos, o nariz, mas, tanto por tanto, ou até mais, agride a consciência social. O trote, hipocritamente proibido dentro do campus pela Universidade, me faz pensar na concorrência desleal existente entre o pedido de esmola diuturnamente recebido por nós pelas ruas e a extorsão (consumada ou tentada) cometida por esses mendigos classe média.

Antes que perguntem, eu respondo: não, não dei trote. Quando estava no segundo período do curso, não participei da sujeira dos calouros nem das cobranças do dinheiro. Admito: estive presente no barzinho pós-trote. E isso fiz durante alguns dos períodos que vieram a seguir. Fui vítima do trote? Sim. E arrecadei R$2,95, quando meus veteranos cobravam a meta de R$40,00. Isso lá nos idos de uma noite extremamente fria de setembro de 2002. Minha estratégia para ter arrecadado quantia tão ínfima e para ser vítima de "assédio moral" porque não atingi a meta imposta foi descer a pé da UFJF até o Parque Halfeld, numa cidade em que eu estava há apenas dois dias, e somente receber as moedas que me eram oferecidas, sem as pedir. Chegando ao Parque Halfeld, sentei-me, indignei-me com a situação e resolvi não pedir um só centavo a mais. Pronto! Receita certa para ser agredido verbalmente por alguns veteranos. O tempo passou e hoje estou aqui... fazendo análise! Ahahah

Hoje volto a pensar no assunto de outro ponto de vista, não só da perspectiva da vítima das vítimas. (Uso o termo vítima porque tanto os calouros são vítimas de dano e lesão corporal quanto nós somos vítimas de extorsão, até porque, convenhamos, a imundície e o fedor em que se encontram é claramente uma "violência" aos nossos sentidos. E aqueles que estão no cursinho são vítimas da extorsão mediante grave ameaça: se você não der dinheiro, não vai passar no vestibular. Bom, a extorsão pode não se configurar com tanta evidência, mas o dano e a lesão corporal certamente ocorrem.). Minha perspectiva, como disse, é outra.

Tirante toda essa introdução séria, com toques de ironia, o que me deixa mais indignado é a quantidade de dinheiro arrecadado pelos "mendigos classe média". E para quê? Para fazer festa! É possível imaginar as pessoas que moram na rua, sejam elas as figuras de sempre, sejam aquelas novas que vez ou outra aparecem por aqui, recebendo a mesma vultosa contribuição dos politizados juizforanos? Não, não é possível. Dar dinheiro ao homem que pede para se alimentar, não. Mas para o pobrezinho do estudante que se encontra todo sujo e com as roupas rasgadas, sim. Qual a diferença entre a sujeira de uns e de outros? O futuro. Infelizmente o pobre pedinte não tem perspectiva alguma de sair daquela situação. Já os mendigos classe média chegam em casa, tomam banho e vão estudar.

Tudo isso é verdadeira concorrência desleal. Enquanto as perenes e as intermitentes pessoas pobres de nossa cidade usam roupas rotas e têm um odor pouco agradável por falta de escolha, os mendigos classe média se submetem voluntariamente a essa mesma situação. E o que é pior: por se utilizarem de uma falsa igualdade de condições, os mendigos classe média cometem efetivo ato de concorrência desleal ao usarem signos distintivos do concorrente para gerar atos de confusão entre o público. Admito, adaptei minha leiga análise do trote ao que alguma pessoa, que trata juridicamente da concorrência desleal, disse, mas não me peçam a fonte, pois não sei.

Conversando um pouco com meu amigo Andrey, ele tentou amenizar minha indignação com o trote me lembrando que se trata de um ritual de passagem. Antropologicamente ele pode estar certo (se bem que o que eu entendo de antropologia?). Mas podem existir outros rituais de passagem; não? Nós, os modernos homens da ciência e da razão, não conseguimos pensar em nada além da selvagem e bárbara atitude de rasgar roupas e utilizar todo tipo de material para sujar e tornar os calouros fedorentos? Não é possível!

Até imagino que existam alunos de algum curso que utilize o mundo de dinheiro que os calouros recebem para fazer algum tipo de caridade material. Ou sou apenas um sonhador? Não sei. Concedo o benefício da dúvida. Mas fico aqui pensando: por que ainda nos comprazemos tanto com esses primitivos rituais de passagem?
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