quarta-feira, 14 de novembro de 2012

À beira dos 30

À beira dos 30, eu me pergunto: valeu a pena?

Valeu demais!

De pequeno não me lembro. Faço esforços por lembrar. É lindo quando as memórias vêm e isso ajuda bastante. Recordar faz ressignificar e ressignificar faz viver melhor. Olhei para trás, mas não o fiz pelo retrovisor como outrora. Encarei face a face, com simultâneos medo e destemor. Me esquivei algumas vezes, mas, no fim, se é que cheguei ao fim, combati um bom combate pessoal.

Quando penso nestes trinta a completar, vejo que muita coisa poderia ter sido diferente. Muitas palavras poderiam ter sido omitidas, outras tantas deveriam ter sido proferidas. Aquelas, que prejudicam; estas, que elevam. Aquelas, que me afastaram de tantos; estas, que me aproximaram de poucos. Magoei e me magoei. Não me orgulho. A propósito, me arrependo de muito do que fiz, falei e pensei. Tentar mudar, para mim, é uma boa saída. Olhas com outros olhos, ter outros pontos de vista.

Projetos existiram e com eles vieram decepções e surpresas. Comecei e não terminei muita coisa. Parece ser u'a marca registrada. A empolgação logo se desvanecia e novas demandas surgiram. Talvez aí o problema: onde o desejo? Reprimido... ou seria melhor dizer que esteve escondido? Existia? Sim, latente, pulsante, tímido. E as demandas o oprimiam. Mas aquele olhar para trás, aquele olhar para dentro, permitiu-me conhecer um pouco mais sobre o desejo.

A ponto de fazer trinta, o retrospecto é interessante. Quem eu era? Quem sou agora? Quem serei? Para a primeira pergunta, muitas respostas já foram encontradas. Gosto daquele eu? Não muito; não me orgulho dele. Foi preciso ser assim, agora não mais. Isso me dá ideia das respostas para a segunda pergunta. Estou muito melhor agora do que antes. Fisicamente, talvez não. Mas este aspecto passageiro e efêmero não é o mais importante. Me sinto melhor, me conheço melhor. Desses trinta, tirei alguns para me conhecer... e só por isso me exponho assim. É bom! Alivia!

Se fizesse um balanço desses 30, diria que o saldo é positivo. Entre erros e acertos, estes prevalecem.

À beira dos trinta tenho sonhos não realizados, desejos não satisfeitos, caminhos não percorridos. Mas e se tiver mais trinta? Aproveitarei! "Vou levando assim. Que o acaso é amigo do meu coração"!

À beira dos 30, só posso dizer que estou feliz!
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